segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

O Clube Aliança de Esteio (RS)


O Clube Aliança de Esteio (RS) foi fundado na década de 40, e teve sua majestosa sede na Av. Presidente Vargas inaugurada em 1953. Na época da inauguração o clube somava mais de 700 sócios e era presidido pelo sr. Luiz Alécio Frainer. 

O prédio apresentava características do estilo Art Déco, com a fachada movimentada em curvas e ressaltos de formas geométricas e é representativo do prestígio das entidades associativas no período.

Fonte: A Gazeta de Esteio - Setembro de 1953





O neogótico na paisagem de Novo Hamburgo


A perspectiva acima, desenhada pelo arquiteto Siegfried Bertoldo Costa, apresenta seu projeto da Igreja da Ascensão em Novo Hamburgo, em conjunto com a casa pastoral ao lado (não construída).

A construção do templo iniciou em 1948, sob a responsabilidade de Marx Herrmann Schlüpmann. Sua inauguração se deu em 1951.

A adoção do estilo neogótico reflete uma opção da Comunidade Evangélica, buscando reforçar a identidade teuto-brasileira em um contexto de campanha de nacionalização. A opção pelo neogótico desconfortava o arquiteto, que era influenciado pela corrente arquitetônica vinculada a Neue Sachlichkeit (nova objetividade). Apesar da estética tradicional, o projeto incorpora algumas premissas funcionalistas, como o posicionamento da torre na parte dos fundos.

O prédio foi tombado como patrimônio cultural do município em 2008.

Fonte: Jornal O Cinco de Abril, 08.04.1949




sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Uma aposta na Serra: Hotel Cavalinho Branco no Lago São Bernardo


Apostando no apelo turístico de São Francisco de Paula, foi constituída a "Sociedade Territorial São Francisco de Paula" - dirigida pelo Sr. Alfredo Hatheier - que realizou o loteamento da "Vila São Bernardo" próximo da cidade, a partir de 1948. O projeto arrojado ocupava área privilegiada no cume dos morros, contornando um grande lago artificial.

Símbolo do empreendimento, e até hoje marcante na paisagem junto ao Lago São Bernardo, o Hotel Cavalinho Branco foi projetado pelo engenheiro-arquiteto Eugenio Deutrich e suas obras já estavam bastante avançadas em 1959. Curiosamente, teve um "irmão menor" projetado e inaugurado um pouco antes: o hotel Cisne Branco.

No Cavalinho Branco pretendia-se comercializar 47 apartamentos, cujos atrativos propagandeados aos compradores, além do clima da cidade, seriam os serviços de um hotel de alta classe: restaurante, sala de recreio, biblioteca, bar com calefação, parques, esportes aquáticos, equitação e canchas de tênis. Seria, ainda, facultado que o apartamento fosse locado a terceiros pela administração, gerando divisas ao proprietário do apartamento.

Aparentemente o modelo de negócio não funcionou: já em 1961 o prédio inteiro era anunciado inteiro para venda, como imóvel "próprio para hotel de luxo, edifício em condomínio, escola, seminário, colônia de férias, etc." Apenas em meados da década de 1970 o prédio seria finalmente transformado em hotel.

Atenção: Este blog tem como proposta a divulgação histórica. O conteúdo não guarda nenhuma relação com o funcionamento atual do Hotel, que utiliza o mesmo nome. Há artigos na internet divulgando que a construção seria dos anos 1930, o que parece incorreto frente aos dados levantados nas fontes citadas.

Fonte: Jornal Diário de Notícias, 11 de Janeiro de 1959. Acervo BN.
Jornal Diário de Notícias, 22 de Janeiro de 1961. Acervo BN.
Correio do Povo 01 de Janeiro de 1957. Arquivo Histórico Moysés Vellinho.


quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Uma semicaverna em Campo Bom (RS)

Por ser densamente urbanizado, o município de Campo Bom normalmente não remete a belezas naturais.  Entretanto, alguns recantos ainda pouco conhecidos apresentam qualidades únicas e tem fortes laços com a história local.
Ao copiar cite a fonte: memoriadrops.blogspot.com
Um destes recantos situa-se no Quatro Colônias Norteuma formação rochosa de pedra arenito, consistindo uma espécie de semi-caverna. O local teria sido utilizado como abrigo pelos povos indígenas. Além de abrigo natural, a formação constitui uma espécie de mirante, de onde se tinha uma ampla vista panorâmica para o entorno. 
 Ao copiar cite a fonte: memoriadrops.blogspot.com
Posteriormente, a comunidade teuto-brasileira que se instalou por ali teria utilizado o espaço para celebrações e festas, como casamentos e aniversários. Foi batizado de Steinköpfche (“cabecinha de pedra”), ou ainda "Königsköpfche" ("cabecinha do rei") - em referência ao vizinho Königsberg (atualmente chamado morro Dois Irmãos).
 Ao copiar cite a fonte: memoriadrops.blogspot.com
No local existe um nicho que teria abrigado um “Phis Menche”, a escultura de um menino nu que urinava cerveja ou bebida gasosa. O local teria sido utilizado pela comunidade local até meados de 1910. 
 Ao copiar cite a fonte: memoriadrops.blogspot.com
FONTES:
Campo Bom: Escola e Comunidade contando sua história. Campo Bom: Caeté, 1988.
CULLMANN, H. Land unterm königsberg. São Leopoldo: Kalender für Deutschen in Brasilien, 1939. p. 86–113.
 LANG, Guido. Campo Bom: História e Crônica 1826-1996. Campo Bom: Papuesta, 1996.


quinta-feira, 27 de outubro de 2016

O plano cicloviário de Campo Bom (RS)



O plano cicloviário de Campo Bom tem sua origem no Projeto Integração, na gestão do prefeito Nestor Fips Schneider. O programa, parcialmente financiado pela EBTU – Empresa Brasileira de Transportes Urbanos, tinha como finalidade qualificar a mobilidade urbana, pois na época era expressivo o uso de bicicleta pelos operários das fábricas de calçados, e também bastante frequentes os acidentes de trânsito.
Cópia apenas com autorização expressa do autor do blog Memória Drops.
 As obras da primeira etapa iniciaram em 1977 e foram concluídas em 1981. A solenidade de inauguração do Anel Cicloviário completo se deu em 1983. O paisagismo foi completado com plantio de canafístulas e outras plantas de grande crescimento vertical, com intenção de formar “túneis verdes”.

A malha cicloviária continua sendo ampliada através das décadas, sendo bastante expressiva para o porte da cidade. Em 2016 foi incluída no Inventário do Patrimônio Cultural Arquitetônico e Paisagístico de Campo Bom.

Fontes consultadas:
Jornal O Fato, 23 de julho de 1977 e 31 de janeiro de 1981.
Sistema Cicloviário Municipal – Monografia. Supervisão Técnica Municipal, 1984.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

O Moinho Rasche de Nova Petrópolis

O antigo Moinho de Cereais de Gustavo Rasche & Cia situa-se às margens da estrada BR-116, na entrada de Nova Petrópolis. Na sua simplicidade e imponência, representa os moinhos coloniais bastante frequente nas áreas de imigração alemã e italianas.

O prédio, com porão de alvenaria e três pavimentos de madeira, foi construído em 1953. Desativado, passou por alguns anos de abandono até ser finalmente adquirido pela Prefeitura Municipal e passar por obras de recuperação em 2008. O moinho preserva parte do seu maquinário, funcionando como um museu aberto a visitação.

A imagem mostra a edificação reproduzida em um anúncio de jornal no ano de 1958.

Fonte da imagem: Publicidade no caderno especial 1º Centenário da Colonização de Nova Petrópolis do Jornal A Hora - 1958. Acervo do Museu Histórico Visconde de São Leopoldo.



domingo, 10 de julho de 2016

Construção das pontes da Estrada Presidente Lucena


Entre as obras listadas no Relatório da Secretaria de Obras Públicas do Estado do Rio Grande do Sul de 1918, estão as pontes da Estrada Presidente Lucena, entre o Arroio Veado e o Arroio Serraria.

Na imagem acima, a construção da ponte sobre o Arroio Veado, tendo já concluídas as cabeceiras de pedra. No local onde hoje se situa o município de Presidente Lucena.
Fonte: Relatório apresentado ao Dr. A. A. Borges de Medeiros Presidente do Estado do Rio Grande do Sul pelo Dr. Idelfonso Soares Pinto Secretario de Estado dos Negócios das Obras Públicas (1918)  - Acervo do AHRS.



sábado, 13 de fevereiro de 2016

Theo Wiederspahn e a Casa da Feitoria em São Leopoldo (RS)


Antiga sede da Feitoria do Linho Cânhamo, empreendimento fracassado do governo imperial, a conhecida "Casa da Feitoria", recentemente chamada também de "Casa do Imigrante", foi utilizada para receber e abrigar os primeiros imigrantes alemães que aportaram no que viria a se tornar a Colônia Alemã de São Leopoldo, em 1824. A eles foram distribuídos lotes de terras devolutas da antiga Feitoria.

Sendo uma das poucas construções luso-brasileiras na região, a Casa da Feitoria tornou-se objeto de disputa simbólica. Na disputa, o Governo estado-novista brasileiro, que se empenhava numa ferrenha campanha de nacionalização; e os diversos grupos que atuavam nas antigas colônias alemãs e defendiam os valores do "deutschtum" (germanidade).

Em 1938, o SPHAN, Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional abre o processo de tombamento da Casa da Feitoria. Deixar um monumento simbólico da cultura alemã nas mãos do Estado nacionalizador era preocupante para os germanistas.O Sínodo luterano e a Sociedade União Popular, na época vinculados aos ideais germanistas, teriam adquirido o imóvel, repassando-o posteriormente para a municipalidade de São Leopoldo.

Em 1941, o arquiteto alemão Theo Wiederspahn foi contratado pela Prefeitura de São Leopoldo para "restaurar" a antiga Casa da Feitoria, instalando nela um grupo escolar. Wiederspahn praticamente reconstruiu o prédio de forma idealizada, visando recuperar o aspecto visual da estrutura de "pau a pique" original da edificação.

A Casa da Feitoria, ainda que tenha eventualmente perdido o valor documental enquanto edificação histórica do século 18, simboliza uma das poucas - senão a única - batalha "perdida" pela campanha nacionalista do Estado Novo de Vargas.

O tombamento nacional jamais foi finalizado. O prédio foi tombado pelo Estado do Rio Grande do Sul em 1982, e no processo, curiosamente consta que o prédio teria sido modificado para a arquitetura enxaimel ainda em 1824.


FONTES:
IPHAE-RS http://www.iphae.rs.gov.br/Main.php?do=BensTombadosDetalhesAc&item=15706
Acervo do Museu Histórico Visconde de São Leopoldo
MEIRA, Ana. O Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no Rio Grande do Sul do Século XX: Atribuição de Valores e critérios de Intervenção. Tese de doutorado PROPUR/UFRGS.



quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

"Steinhaus", a Casa de Pedra de Igrejinha

Edificação simbólica do processo de colonização alemã no Rio Grande do Sul, a "Steinhaus" - Casa de Pedra de Igrejinha está para a colônia de "Santa Maria do Mundo Novo" (que compreendia, entre outros, os atuais municípios de Taquara, Três Coroas e Igrejinha) assim como a Casa do Imigrante para a Colônia de São Leopoldo.

O prédio, de arquitetura luso-brasileira, foi mandado construir por Tristão Monteiro para a partir dali, organizar todo funcionamento da sua Colônia particular. A casa teria servido de abrigo aos agrimensores responsáveis pelas medições das terras, era o ponto de referência onde foram recebidos os imigrantes e teuto-brasileiros ali chegados, interessados na aquisição dos lotes coloniais e, ainda, servia de ponto de comércio de ferramentas e produtos necessários à subsistência do colono nos primeiros tempos.

O espaço foi ocupado a partir da década de 1970 por um Centro de Tradições Gaúchas, que hoje funciona em edificação anexa.

 Infelizmente, o estado de conservação atual é precário. Como agravante, a edificação ainda não é reconhecida oficialmente como patrimônio cultural através de ato administrativo (apesar de uma iniciativa legislativa de efeito honorífico dar conta de sua importância estadual).

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Evangelisches Stift: Agonia pronlongada pela "restauração"



O futuro do Evangelisches Stift - o antigo prédio da Fundação Evangélica de Hamburgo Velho, na rua Maurício Cardoso, segue uma incógnita, após mais de um ano com as obras paralizadas.

O prédio, que integra sítio histórico tombado pelo IPHAN, teria sido construído em meados de 1850-60, ainda com um pavimento. Foi ampliado posteriormente na década de 1910, alguns anos após sua compra pelas irmãs Lina e Amália Engel, que ali instalaram um internato feminino.

Após a transferência da Fundação Evangélica para uma nova estrutura o local abrigou sucessivamente os mais diversos usos: jardim de infância da Comunidade Evangélica, Fábrica Arlindo Thoen, Lar da Menina da Fundação Dom Bosco, Museu do Calçado, Atelie Livre da SEMEC-NH e por fim, albergue da Secretaria Municipal de Saúde.

Incendiado no ano de 1999, vive desde então uma lenta agonia: com a derrubada do seu frontão logo após o incêndio, a edificação passou mais de uma década se deteriorando. Foi adquirido pela municipalidade em 2008 e posteriormente, formulado de um projeto de restauração, cuja execução começou em 2013.

Ninguém poderia imaginar que esse processo de recuperação fosse se tornar mais um amargo capítulo na trajetória do antigo Stift: as obras foram embargadas por uma ação civil pública do Ministério Público Estadual por suspeita de irregularidades na licitação, além das nítidas falhas técnicas na execução da obra, em desacordo com princípios básicos de preservação.

O próximo capítulo desta história ainda será escrito, mas certamente já deixou seu impacto negativo na memória afetiva da edificação.

FONTE: Inventário do Patrimônio Cultural de Novo Hamburgo - SIG/IPHAN
Foto: Acervo Fundação Scheffel

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

São Pelegrino - Símbolo da arte sacra gaúcha em Caxias do Sul (RS)


Estrategicamente situada no espaço urbano de Caxias do Sul (RS), a igreja de São Pelegrino foi cuidadosamente concebida para tornar-se um marco da arquitetura sacra gaúcha. A obra iniciou em 1944 e foi inaugurada em 1953.

Trata-se de uma das obras mais ousadas do arquiteto autodidata Vitorino Zani, figura expressiva da arquitetura sacra gaúcha, autor de dezenas de igrejas católicas espalhadas por todo Estado.

A igreja de São Pelegrino é um dos exemplares em que Zani deixou de lado elementos historicistas e ousou a modernização da arquitetura sacra, inserindo elementos protomodernos e Art Déco, ainda na composição e proporção clássica. O resultado pode até pecar pelos excessos, mas numa época de mudanças culturais e sociais como aquela, a experimentação do arquiteto vale no mínimo como excelente documento histórico.

Já nos interiores estão abrigadas a obra-prima do artista Aldo Locatelli: o mural da Santa Ceia, da Aparição do Sagrado Coração de Jesus a Santa Margarida Maria Alecoque, da Aparição de Nossa Senhora de Caravaggio à vidente Joaneta, e o teto da igreja ilustrando a Criação do Cosmo, a Criação da Mulher, a Expulsão do Paraíso e o Juízo Final - além da Via Sacra e dos anjos de seu auxiliar Emilio Sessa.

Marco urbano em uma pequena metrópole cravada no interior do estado, em plena serra, a Igreja de São Pelegrino simboliza a arte sacra católica gaúcha, representando a produção artística do seu apogeu. A imagem mostra um postal da igreja na época da inauguração, ainda cercada de casarões de madeira, hoje substituídos por prédios altos que tentam diminuir sua presença na cidade.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

O Cristo Redentor no Morro de Sapucaia (RS)


No início da década de 1940, houve um ambicioso projeto para a instalação de um grande monumento católico na região metropolitana de Porto Alegre. Trata-se do projeto de um Cristo Redentor no popular "morro do chapéu" ou Morro de Sapucaia, no atual município de Sapucaia do Sul (RS).

A ideia teria partido do então subprefeito Jorge Morais, quando a localidade ainda era distrito de São Leopoldo. O croqui apresentado tem a assinatura Casa Aloys - Arjonas.

O futuro Cristo Redentor de Sapucaia, que seria visível de vários pontos da região metropolitana, chegou a ser divulgado na mídia local em 1941 e o projeto foi aprovado pelo arcebispo D. Becker. A proposta foi absolutamente esquecida e jamais se concretizou.

FONTES: MOEHLECKE, Germano. O Vale do Sinos Era Assim. São Leopoldo: Rotermund, 1978.
AZZI, Riolando. Presença da Igreja Católica na sociedade brasileira, 1921-1979 
Acervo Hemeroteca Biblioteca Nacional http://hemerotecadigital.bn.br/

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Inauguração da igreja matriz de Rolante (RS) em 1950


No final do ano de 1950, o município de Rolante inaugurava sua "nova matriz".

Vitorino Zani foi arquiteto responsável pelo projeto, que emprega alguns elementos do neogótico numa composição eclética. Zani é responsável por boa parte da produção arquitetônica religiosa da época no Estado, sendo autor de obras importantes como a Igreja de São Pelegrino em Caxias do Sul e a Catedral São Luiz de Novo Hamburgo.

O prédio encontra-se preservado e situa-se em ponto privilegiado nas visuais urbanas de Rolante.


FONTE: Convite - Acervo de Diva Walzer Kuhn



quinta-feira, 4 de setembro de 2014

A primeira Hidráulica de Cachoeira do Sul (RS)


Em 1918, o importante engenheiro sanitarista Saturnino de Britto visita Cachoeira para acertar a contratação de projetos para o abastecimento de água e esgotos da cidade. Deste plano geral, executou-se num primeiro momento um trecho inicial, que consiste na primeira Hidráulica do atual município de Cachoeira do Sul.
Este módulo constava da captação de água nas margens do rio Jacuí na altura do cemitério das irmandades, sendo recalcada por bomba centrífuga até um tanque de decantação, onde era arejada, batida, pré-filtrada e decantada; sendo então elevada a outro tanque de distribuição.
Em dezembro de 1920 foi lançada a pedra fundamental da hidráulica municipal, cuja pedra foi cimentada pelo intendente municipal, dr. Annibal Loureiro. As primeiras experiências da Hidráulica foram realizadas em setembro de 1921, e no dia 20 do mesmo mês foi finalmente inaugurada com festividades.
Curiosamente a água da primeira Hidráulica Municipal não agradou a todos. Os cidadãos acostumados com a limpidez da água das fontes anteriormente utilizadas resistia em acostumar-se às águas turvas distribuídas pela Hidráulica Municipal.
Posteriormente executou-se o restante do projeto original de Saturnino, sendo edificado o reservatório enterrado - R2 e o Chateau D’Eau. O reservatório e a fonte de decantação da primeira hidráulica são inventariados como patrimônio cultural e encontram-se à Praça Itororó, sem número.

Fontes:
Jornal O Commercio - em especial o de 28 de setembro de 1921
Acervo do Museu Municipal de Cachoeira do Sul

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

O prédio da SEMEC 2 / IBA de Novo Hamburgo (RS)


O prédio situado no começo da Avenida Primeiro de Março no centro de Novo Hamburgo abrigava a sede do Tiro de Guerra, que uma vez extinto, foi doado ao município pelo Sr. Léo João Campani com a condição de que fosse utilizado para fins de instrução pública.

O espaço foi reformado dentro dos padrões das escolas da então SEDEP - RS, e passou a abrigar em meados de 1957 o IBA - Instituto de Belas Artes, mantido inicialmente pela Sociedade Cultural de Novo Hamburgo. O local ofereceu cursos de Artes Plásticas, Música, cursos livres de ballet, decoração de interiores, artes florais e outros, além de escolinha infantil de artes. Tal Instituto foi um dos embriões da atual Universidade Feevale.

Posteriormente, no local funcionou o espaço cultural da Secretaria de Educação e Cultura (período em que ficou conhecido como SEMEC 2), abrigando diferentes expressões artísticas.Abandonado e em acelerada degradação, o prédio encontra-se sem uso há muitos anos. No entanto, segue marcado na memória social e afetiva.

Em 2011 o prédio foi tombado como patrimônio cultural do município. Em 2013 foi "destombado" o interior do mesmo prédio - no mesmo ano que boa parte do prédio desabou e outra parte foi derrubada. Recentemente foi aprovado, após inúmeras tentativas frustradas, o projeto cultural busca a recuperação do que restou para uso como centro cultural.

Dois atos públicos foram realizados pelo Coletivo Consciência Coletiva no local, pedindo urgência na recuperação daquele espaço e realizando exposições de arte na frente de sua fachada. Certo é que torna-se cada vez mais visível o absurdo de se ter um prédio público - que traz a cultura no seu DNA - sucateado, enquanto o município despende mensalmente um valor astronômico para aluguel de outros espaços culturais.

FONTES:
LEI MUNICIPAL Nº 66, DE 01.07.1950.
PETRY, Leopoldo.  Novo Hamburgo - O florescente município do Vale do Rio dos Sinos. São Leopoldo: Editora Rotermund, 1963.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

A Casa Pastoral e Escola Evangélica de Lomba Grande


Lomba Grande, hoje um bairro de Novo Hamburgo (RS), guarda um exemplar ímpar de arquitetura teuto-brasileira no Rio Grande do Sul. Trata-se da antiga Casa Pastoral e também antiga Escola Evangélica de Lomba Grande.

A primeira construção deu-se em 1862, com a mobilização da comunidade pelo professor Heinrich Meyer. Na ocasião construiu-se uma escola e mais duas peças para moradia, sendo mais tarde acrescentados dois quartos. O professor Meyer morou na escola até 1915. 

O prédio seguiu abrigando os pastores da comunidade de Lomba Grande até 1928, quando o pastor Jacob Sauer empreendeu uma série de obras no local, construindo outras salas de aula. Nesta época o prédio adquiriu as feições atuais, lançando mão de elementos típicos da arquitetura teuto-brasileira. 

A escola da comunidade – Geimeindeschule –funcionou até meados de 1940. O prédio, composto por elementos construtivos destes diferentes períodos, foi tombado como patrimônio cultural do município de Novo Hamburgo no ano de 2007.


FONTE: IECLB História
 JAHRWEISER - KALENDER FÜR DIE DEUTSCHEN EVANGELISCHEN GEMEINDEIN IN BRASILIEN 1930



sexta-feira, 30 de maio de 2014

SAT de Tramandaí (RS): Da majestosa sede à vergonhosa destruição

Considerada na época de sua inauguração em 1957 "uma sede de sociedade das mais notáveis no gênero no País", a sede social da SAT - Sociedade Amigos de Tramandaí, no município do litoral norte gaúcho, foi certamente uma das edificações mais relevantes e expressivas da arquitetura moderna no Estado.


Projetada pelo então novato Arq. Nestor Hamlet Hilgert, integrante da construtora Tedesco, utilizava-se do vocabulário da arquitetura moderna carioca, usando curvas e planos inclinados com segurança e maestria. Localizada inicialmente sobre dunas, logo a cidade cresceu e encontrou a sede social da SAT, localizada na avenida da Igreja, uma das mais importantes do local, ligando o centro a orla marítma.

Hilgert traduziu como nenhum outro o espírito de uma época, expressando a grandiosidade e opulência que as sociedades litorâneas alcançaram no seu auge.

Impondo-se respeitosamente na esquina que sempre ocupou desde sua inauguração, marcada pelo totem de uma garça revestido em pedras, moradores e veranistas assistiram estupefatos à derrubada impiedosa de mais da metade da sede social da SAT no ano de 2013. Daria lugar a uma torre de apartamentos. Através de forte movimentação contrária a derrubada, com o apelo da sociedade civil e entidades, a demolição foi embargada por alguns meses. A abertura de uma ação civil pública pelo Ministério Público Estadual através de denúncia da oscip Defender, do SAERGS e de arquiteta do local, garantiu tempo para os laudos necessários e discussões.

Mas apesar de um claríssimo laudo técnico emitido pelo IPHAE-RS onde deixava claro a importância cultural do prédio e a necessidade de reconstituição da parte destruída, e da manifestação de mais cidadãos e entidades, entre elas o Docomomo e o Conselho Estadual de Cultural, o promotor local assinou sem consulta técnica adequada um "acordo" entre as partes - nada mais do que o próprio arquivamento do processo, o que resultou na demolição final do prédio e no início da construção das famigeradas torres de apartamento.

Ou seja, assinou a perda definitiva de um grande patrimônio cultural do Rio Grande do Sul. Mais uma relíquia cultural que não soubemos reconhecer a tempo.

Fontes:
Jornal Correio do Povo 17 de janeiro de 1957
site Defender.org.br - foto autoria A. Huyer

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Porto Lucena (RS) e as sedes de colônia projetadas no RS


O último período das colonizações do Estado do Rio Grande do Sul - as ditas "colõnias novas" - foi marcado pela alteração da instância de financiamento e gestão do projeto de colonização. A partir de 1890 o Estado passa a ter atribuições mais amplas em relação a União e, em meados de 1895 a União passou gradativamente a diminuir os subsídios econômicos para financiamento das colonizações, sendo que em 1897 deixaram definitivamente de ser incumbência da União e passaram a ser responsabilidade exclusiva do Estado (PELLANDA, 1924, p. 15).

 O Estado criou então a Diretoria de Povoamento do Solo e respectiva Inspetoria, que mais tarde gerariam a "Diretoria de Terras e Colonização", criada especificamente para tratar da questão colonial.

Entre as tantas atribuições desta Diretoria, esteve a gestão e o planejamento das colônias novas, através dos núcleos regionais denominados Comissão de Terras. 

Das povoações planejadas pela Secretaria de Obras Públicas, a pedido da Diretoria de Terras e Colonização, algumas não chegaram a ser implantadas, como a sede definitiva de Santa Rosa. 
Outras, como a de Porto Lucena foram executadas, ainda que parcialmente. Planejado pelo Eng. C. Torres Gonçalves em 1918, às margens do Rio Uruguai, este plano urbano tinha como elemento marcante a praça rotacionada em relação a malha e o arruamento radial que dela derivava.

Originalmente pertencente à Colônia Guarany, Porto Lucena é hoje município e tem no seu traçado urbano preservado um interessante patrimônio cultural, revelador de um período histórico do Estado.

FONTES: 
PELLANDA, Ernesto. Colonização Germânica no Rio Grande do Sul 1824-1924. Porto Alegre: Livraria do Globo, 1924.
Imagem - Acervo do AHRS - Arquivo Histórico do RS

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Sapiranga - A Casa Tombada não pode tombar


A Casa Tombada de Sapiranga corre o risco de, literalmente, tombar. Único imóvel reconhecido oficialmente como patrimônio cultural num município que ainda guarda em seu território centenas de edificações de valor, a antiga Casa de Johann Schmidt, ou Atafona Schmidt, conhecida pela alcunha de casa tombada, encontra-se em acelerada degradação, com a perda de parte do seu telhado.

A edificação é uma das estruturas enxaimel estudadas pelo arquiteto Günter Weimer no seu livro Arquitetura Popular da Imigração Alemã. Segundo este estudo, a atafona teria sido construída em meados de 1870, sendo por muito tempo um dos mais importantes centros produtores de farinha de mandioca da região. Esta porção correspondente a atafona, anexa aos fundos da casa, foi demolida há algumas décadas. A casa, correspondente ao volume frontal, aparenta ter sido construída ainda anteriormente- o imigrante estabeleceu-se no local em meados de 1840.

Com o desmembramento da gleba e loteamento da área, a casa foi preservada, sendo repassada para a propriedade da Fundação Cultural e de Meio Ambiente de Sapiranga. A municipalidade efetuou o tombamento municipal e, há cerca de uma década, realizou uma obra recuperativa. 

Nos últimos anos o espaço foi sendo gradualmente abandonado, deixando de servir para  atividades culturais. Sem uso, o local acabou desaparecendo do imaginário das novas gerações. Curiosamente, foi justamente o vigamento roliço de eucalipto utilizado na última obra recuperativa para substituir peças comprometidas do telhado que desabou. A estrutura enxaimel resiste, fragilizada.

A atual gestão da Fundação proprietária do imóvel assumiu este mês e articula-se para reverter o quadro de abandono, recuperando a casa e retomando as atividades culturais. No dia 01 de Junho está marcado um ato público no local, incluindo um abraço coletivo, que pode ser o início simbólico da trajetória pela restauração da casa. Espera-se grande envolvimento da sociedade nesta causa, afinal, a participação e interesse da sociedade é a única forma de viabilizar a recuperação do espaço e garantir sua continuidade.



A Catedral de Vacaria e a descaracterização do patrimônio cultural religioso do Estado



O que restará do patrimônio cultural gaúcho no que tange à decoração interna dos templos religiosos?

No que depender da ingerência atual e da ausência de tutela do patrimônio, nada.

A reforma interna da catedral de Vacaria, cujas obras continuam a todo vapor apesar dos inúmeros e bem fundamentados apelos da comunidade, tem se destacado como um caso exemplar desta problemática.

Fica e exposta a completa arbitrariedade a que estão sujeitos os bens tombados apenas a nível municipal - uma vez que os municípios não mantém em seus quadros profissionais com conhecimento específico em conservação e restauração que possam orientar minimamente estas obras, e há omissão geral em submeter-se a ação fiscalizadora do Estado e União como impõe a Constituição. 

Também ficam claras consequências graves da falta de educação patrimonial inserida nos currículos das escolas, uma vez que a sociedade segue ignorando o que seja tombamento, restauração e a importância sócio-econômica do patrimônio cultural.

Pinturas murais, escaiolas, ladrilhos hidráulicos, estuques, imagens sacras antigas - detalhes singelos ou requintados das arquiteturas pretéritas, tem sido sistematicamente substituídos por um historicismo cafona, cheio de relevos em gesso e douraturas falsas. Perde-se completamente a ambientação e harmonia dos ambientes, o que parece ser o caso da bela catedral vacariense, cujas colunas internas já foram descaracterizadas com uma nova pintura de questionáveis valores estéticos.

A deformação é muitas vezes irreversível, e deixa a sociedade sem referências coerentemente preservadas da arte sacra. Esperamos que a reforma da Catedral de Vacaria seja paralizada - enquanto há tempo de avaliar corretamente a conservação e restauração de seu conteúdo histórico - e que as descaracterizações possam ser  minimamente revertidas. É a única forma de indenizar a sociedade pela perda irreparável, uma vez que boa parte da agressão já foi consumada.