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sábado, 13 de fevereiro de 2016

Theo Wiederspahn e a Casa da Feitoria em São Leopoldo (RS)


Antiga sede da Feitoria do Linho Cânhamo, empreendimento fracassado do governo imperial, a conhecida "Casa da Feitoria", recentemente chamada também de "Casa do Imigrante", foi utilizada para receber e abrigar os primeiros imigrantes alemães que aportaram no que viria a se tornar a Colônia Alemã de São Leopoldo, em 1824. A eles foram distribuídos lotes de terras devolutas da antiga Feitoria.

Sendo uma das poucas construções luso-brasileiras na região, a Casa da Feitoria tornou-se objeto de disputa simbólica. Na disputa, o Governo estado-novista brasileiro, que se empenhava numa ferrenha campanha de nacionalização; e os diversos grupos que atuavam nas antigas colônias alemãs e defendiam os valores do "deutschtum" (germanidade).

Em 1938, o SPHAN, Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional abre o processo de tombamento da Casa da Feitoria. Deixar um monumento simbólico da cultura alemã nas mãos do Estado nacionalizador era preocupante para os germanistas.O Sínodo luterano e a Sociedade União Popular, na época vinculados aos ideais germanistas, teriam adquirido o imóvel, repassando-o posteriormente para a municipalidade de São Leopoldo.

Em 1941, o arquiteto alemão Theo Wiederspahn foi contratado pela Prefeitura de São Leopoldo para "restaurar" a antiga Casa da Feitoria, instalando nela um grupo escolar. Wiederspahn praticamente reconstruiu o prédio de forma idealizada, visando recuperar o aspecto visual da estrutura de "pau a pique" original da edificação.

A Casa da Feitoria, ainda que tenha eventualmente perdido o valor documental enquanto edificação histórica do século 18, simboliza uma das poucas - senão a única - batalha "perdida" pela campanha nacionalista do Estado Novo de Vargas.

O tombamento nacional jamais foi finalizado. O prédio foi tombado pelo Estado do Rio Grande do Sul em 1982, e no processo, curiosamente consta que o prédio teria sido modificado para a arquitetura enxaimel ainda em 1824.


FONTES:
IPHAE-RS http://www.iphae.rs.gov.br/Main.php?do=BensTombadosDetalhesAc&item=15706
Acervo do Museu Histórico Visconde de São Leopoldo
MEIRA, Ana. O Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no Rio Grande do Sul do Século XX: Atribuição de Valores e critérios de Intervenção. Tese de doutorado PROPUR/UFRGS.



quarta-feira, 12 de março de 2014

Salvo pela sociedade - Prédio da ACIT de Taquara


O prédio da ACIT - Associação Comercial e Industrial de Taquara (hoje rebatizada para CICSVP) é um dos mais ricos exemplares da arquitetura eclética no município de Taquara (RS).

Sua construção se deu em 1912, funcionando inicialmente como agência bancária do Banco da Província. Apesar de sua grande importância e presença marcante na paisagem urbana, sua estrutura começou a ser impiedosamente demolida em 1986. Com grande mobilização da comunidade (apesar de ser necessário comentar que houve mobilização também em contrário), com abaixo assinado e pressão junto aos órgãos públicos, o prédio foi tombado como Patrimônio Histórico do Estado do Rio Grande do Sul no mesmo ano.

O tombamento da ACIT foi um dos primeiros efetuados pelo Estado e retrata uma fase de grande mobilização social em defesa do patrimônio na década de 80 (outros bens foram tombados, também, por insistência da sociedade civil: Casa Schmitt Presser em Novo Hamburgo - pelo IPHAN, Ponte de Ferro em São Leopoldo pelo IPHAE, entre outros).

 Infelizmente Taquara não aprendeu a lição e, se existe ainda uma vaga ideia de conjunto minimamente preservado,deve-se a pequena área de entorno delimitada pelo IPHAE para o tombamento da ACIT. O município jamais assumiu sua missão complementando essa proteção. Dezenas de outros exemplares históricos importantes seguem se perdendo ano após ano naquele município, enquanto não há qualquer perspectiva de um inventário criterioso de seu patrimônio, de uma legislação de respaldo e de mais tombamentos e políticas de incentivo aos proprietários.

Fica o prédio da ACIT como um monumento da mobilização da sociedade pelo patrimônio - e, esperamos, como um incentivo para que um dia essa mobilização seja retomada e se torne contínua e perene.

FONTE: Site do IPHAE-RS