sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Uma aposta na Serra: Hotel Cavalinho Branco no Lago São Bernardo


Apostando no apelo turístico de São Francisco de Paula, foi constituída a "Sociedade Territorial São Francisco de Paula" - dirigida pelo Sr. Alfredo Hatheier - que realizou o loteamento da "Vila São Bernardo" próximo da cidade, a partir de 1948. O projeto arrojado ocupava área privilegiada no cume dos morros, contornando um grande lago artificial.

Símbolo do empreendimento, e até hoje marcante na paisagem junto ao Lago São Bernardo, o Hotel Cavalinho Branco foi projetado pelo engenheiro-arquiteto Eugenio Deutrich e suas obras já estavam bastante avançadas em 1959. Curiosamente, teve um "irmão menor" projetado e inaugurado um pouco antes: o hotel Cisne Branco.

No Cavalinho Branco pretendia-se comercializar 47 apartamentos, cujos atrativos propagandeados aos compradores, além do clima da cidade, seriam os serviços de um hotel de alta classe: restaurante, sala de recreio, biblioteca, bar com calefação, parques, esportes aquáticos, equitação e canchas de tênis. Seria, ainda, facultado que o apartamento fosse locado a terceiros pela administração, gerando divisas ao proprietário do apartamento.

Aparentemente o modelo de negócio não funcionou: já em 1961 o prédio inteiro era anunciado inteiro para venda, como imóvel "próprio para hotel de luxo, edifício em condomínio, escola, seminário, colônia de férias, etc." Apenas em meados da década de 1970 o prédio seria finalmente transformado em hotel.

Atenção: Este blog tem como proposta a divulgação histórica. O conteúdo não guarda nenhuma relação com o funcionamento atual do Hotel, que utiliza o mesmo nome. Há artigos na internet divulgando que a construção seria dos anos 1930, o que parece incorreto frente aos dados levantados nas fontes citadas.

Fonte: Jornal Diário de Notícias, 11 de Janeiro de 1959. Acervo BN.
Jornal Diário de Notícias, 22 de Janeiro de 1961. Acervo BN.
Correio do Povo 01 de Janeiro de 1957. Arquivo Histórico Moysés Vellinho.


quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Uma semicaverna em Campo Bom (RS)

Por ser densamente urbanizado, o município de Campo Bom normalmente não remete a belezas naturais.  Entretanto, alguns recantos ainda pouco conhecidos apresentam qualidades únicas e tem fortes laços com a história local.
Ao copiar cite a fonte: memoriadrops.blogspot.com
Um destes recantos situa-se no Quatro Colônias Norteuma formação rochosa de pedra arenito, consistindo uma espécie de semi-caverna. O local teria sido utilizado como abrigo pelos povos indígenas. Além de abrigo natural, a formação constitui uma espécie de mirante, de onde se tinha uma ampla vista panorâmica para o entorno. 
 Ao copiar cite a fonte: memoriadrops.blogspot.com
Posteriormente, a comunidade teuto-brasileira que se instalou por ali teria utilizado o espaço para celebrações e festas, como casamentos e aniversários. Foi batizado de Steinköpfche (“cabecinha de pedra”), ou ainda "Königsköpfche" ("cabecinha do rei") - em referência ao vizinho Königsberg (atualmente chamado morro Dois Irmãos).
 Ao copiar cite a fonte: memoriadrops.blogspot.com
No local existe um nicho que teria abrigado um “Phis Menche”, a escultura de um menino nu que urinava cerveja ou bebida gasosa. O local teria sido utilizado pela comunidade local até meados de 1910. 
 Ao copiar cite a fonte: memoriadrops.blogspot.com
FONTES:
Campo Bom: Escola e Comunidade contando sua história. Campo Bom: Caeté, 1988.
CULLMANN, H. Land unterm königsberg. São Leopoldo: Kalender für Deutschen in Brasilien, 1939. p. 86–113.
 LANG, Guido. Campo Bom: História e Crônica 1826-1996. Campo Bom: Papuesta, 1996.


terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

A antiga Igreja da Tristeza em Porto Alegre (RS)

Ao copiar cite fonte: memoriadrops.blogspot.com
O primeiro templo católico da Tristeza teria sido edificado no "morro dos bugres", onde mais tarde foi loteada a vila Conceição. Com a necessidade de sua ampliação, a comunidade, formada majoritariamente por imigrantes italianos, conseguiu a doação de um outro terreno e iniciou a empreitada de sua igreja, com projeto do Arquiteto Calixto Gandolffi.
Ao copiar cite fonte: memoriadrops.blogspot.com
A pedra fundamental foi lançada em 1896, e a construção foi árdua, entre dificuldades financeiras e adversidades do terreno pedregoso e de grande aclive. Em meados de 1900 a fachada da igreja foi parcialmente recomposta pelo Arq. Gandolffi, reformulando a parte do frontão que encontrava-se com problemas estruturais. Já em 1910, acrescentaram-se na fachada as esculturas de Jesus Cristo ladeado por duas crianças, São Luiz e Santa Inês, todas de autoria do escultor de origem alemã Germano Drexler.
Ao copiar cite fonte: memoriadrops.blogspot.com
As estátuas foram relacionadas como patrimônio histórico pelo município de Porto Alegre em 1971, na lista de elementos isolados. Em 1974 a proteção foi ampliada a toda igreja, e em 1977 foram novamente limitadas as esculturas. Atualmente a igreja e sua casa paroquiais são bens inventariados como patrimônio cultural pelo município de Porto Alegre.

Fontes:

PASTOUS, Lisia Saint. Os imigrantes italianos e a construção da primeira igreja da Tristeza.
MEIRA, Ana Lúcia. O Passado no Futuro da Cidade. Porto Alegre: Editora UFRGS, 2004.
Acervo da Paróquia.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

O plano cicloviário de Campo Bom (RS)



O plano cicloviário de Campo Bom tem sua origem no Projeto Integração, na gestão do prefeito Nestor Fips Schneider. O programa, parcialmente financiado pela EBTU – Empresa Brasileira de Transportes Urbanos, tinha como finalidade qualificar a mobilidade urbana, pois na época era expressivo o uso de bicicleta pelos operários das fábricas de calçados, e também bastante frequentes os acidentes de trânsito.
Cópia apenas com autorização expressa do autor do blog Memória Drops.
 As obras da primeira etapa iniciaram em 1977 e foram concluídas em 1981. A solenidade de inauguração do Anel Cicloviário completo se deu em 1983. O paisagismo foi completado com plantio de canafístulas e outras plantas de grande crescimento vertical, com intenção de formar “túneis verdes”.

A malha cicloviária continua sendo ampliada através das décadas, sendo bastante expressiva para o porte da cidade. Em 2016 foi incluída no Inventário do Patrimônio Cultural Arquitetônico e Paisagístico de Campo Bom.

Fontes consultadas:
Jornal O Fato, 23 de julho de 1977 e 31 de janeiro de 1981.
Sistema Cicloviário Municipal – Monografia. Supervisão Técnica Municipal, 1984.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

O Moinho Rasche de Nova Petrópolis

O antigo Moinho de Cereais de Gustavo Rasche & Cia situa-se às margens da estrada BR-116, na entrada de Nova Petrópolis. Na sua simplicidade e imponência, representa os moinhos coloniais bastante frequente nas áreas de imigração alemã e italianas.

O prédio, com porão de alvenaria e três pavimentos de madeira, foi construído em 1953. Desativado, passou por alguns anos de abandono até ser finalmente adquirido pela Prefeitura Municipal e passar por obras de recuperação em 2008. O moinho preserva parte do seu maquinário, funcionando como um museu aberto a visitação.

A imagem mostra a edificação reproduzida em um anúncio de jornal no ano de 1958.

Fonte da imagem: Publicidade no caderno especial 1º Centenário da Colonização de Nova Petrópolis do Jornal A Hora - 1958. Acervo do Museu Histórico Visconde de São Leopoldo.

domingo, 10 de julho de 2016

Construção das pontes da Estrada Presidente Lucena


Entre as obras listadas no Relatório da Secretaria de Obras Públicas do Estado do Rio Grande do Sul de 1918, estão as pontes da Estrada Presidente Lucena, entre o Arroio Veado e o Arroio Serraria.

Na imagem acima, a construção da ponte sobre o Arroio Veado, tendo já concluídas as cabeceiras de pedra. No local onde hoje se situa o município de Presidente Lucena.
Fonte: Relatório apresentado ao Dr. A. A. Borges de Medeiros Presidente do Estado do Rio Grande do Sul pelo Dr. Idelfonso Soares Pinto Secretario de Estado dos Negócios das Obras Públicas (1918)  - Acervo do AHRS.

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Theo Wiederspahn e a "germanização" da Casa da Feitoria em São Leopoldo (RS)


Antiga sede da Feitoria do Linho Cânhamo, empreendimento fracassado do governo imperial, a conhecida "Casa da Feitoria", recentemente chamada também de "Casa do Imigrante", foi utilizada para receber e abrigar os primeiros imigrantes alemães que aportaram no que viria a se tornar a Colônia Alemã de São Leopoldo, em 1824. A eles foram distribuídos lotes de terras devolutas da antiga Feitoria.

Sendo uma das poucas construções luso-brasileiras na região, a Casa da Feitoria tornou-se objeto de disputa simbólica. Na disputa, o Governo estado-novista brasileiro, que se empenhava numa ferrenha campanha de nacionalização; e os diversos grupos que atuavam nas antigas colônias alemãs e defendiam os valores do "deutschtum" (germanidade).

Em 1938, o SPHAN, Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional abre o processo de tombamento da Casa da Feitoria. Deixar um monumento simbólico da cultura alemã nas mãos do Estado nacionalizador era preocupante para os germanistas.O Sínodo luterano e a Sociedade União Popular, na época vinculados aos ideais germanistas, teriam adquirido o imóvel, repassando-o posteriormente para a municipalidade de São Leopoldo.

Em 1941, o arquiteto alemão Theo Wiederspahn foi contratado pela Prefeitura de São Leopoldo para "restaurar" a antiga Casa da Feitoria, instalando nela um grupo escolar. Wiederspahn praticamente reconstruiu o prédio de forma idealizada, imprimindo traços da arquitetura vernacular teuto-brasileira (as traves enxaimel) na edificação.

A Casa da Feitoria, ainda que tenha eventualmente perdido o valor documental enquanto edificação histórica do século 18, simboliza uma das poucas - senão a única - batalha "perdida" pela campanha nacionalista do Estado Novo de Vargas.

O tombamento nacional jamais foi finalizado. O prédio foi tombado pelo Estado do Rio Grande do Sul em 1982, e no processo, curiosamente consta que o prédio teria sido modificado para a arquitetura enxaimel ainda em 1824.


FONTES:
IPHAE-RS http://www.iphae.rs.gov.br/Main.php?do=BensTombadosDetalhesAc&item=15706
Acervo do Museu Histórico Visconde de São Leopoldo
MEIRA, Ana. O Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no Rio Grande do Sul do Século XX: Atribuição de Valores e critérios de Intervenção. Tese de doutorado PROPUR/UFRGS.