quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Antiga Sociedade Gondoleiros - Tesouros do antigo 4º Distrito de Porto Alegre


Entre a paisagem heterogênea da Avenida Presidente Roosevelt, no Bairro São Geraldo, uma edificação do início do século passado impõe-se na paisagem. A alegoria de uma gôndola veneziana marca uma esquina, deixando curiosos os transeuntes que, no geral, pouco conhecem a já fragmentada memória coletiva do antigo 4º Distrito de Porto Alegre.

Trata-se da antiga sede social da Sociedade Gondoleiros, fundada em 1915 por imigrantes italianos e seus descendentes. A sociedade era o local de congregação e sociabilidade, além de reafirmação da identidade étnica italiana dentro do contexto da época (entre alemães, imigrantes do leste europeu denominados popularmente como "polacos" e outros).

O prédio que abrigou a antiga sede social da Gondoleiros vive uma lenta agonia.

Fontes: FORTES, Alexandre. Nós do quarto distrito: a classe trabalhadora porto-alegrense e a era Vargas. Rio de Janeiro: Editora Garamond, 2004.

domingo, 25 de agosto de 2013

Cine Caiçara - cinema de rua em Tramandaí (RS)


Tramandaí, no litoral norte gaúcho, também viveu o apogeu e a queda dos cinemas de rua.

O antigo Cine Caiçara, na avenida Emancipação, marcou a memória dos veranistas que por ali passaram e assistiram clássicos nas matinés.

O estabelecimento iniciou suas atividades em 1948, funcionando até meados das décadas de 70 e 80 (não foi possível confirmar a informação). O proprietário durante o auge da existência foi Carlos Theobaldo Sperb.

A fachada do cinema foi mantida, e o prédio recentemente reciclado e convertido em galeria comercial.
Curiosamente hoje Tramandaí não tem cinema.

Fonte da imagem: http://tdaipretonobranco.blogspot.com.br/

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

SABA - Sociedade Amigos do Balneário Atlântida


O postal mostra o aspecto original da sede social da SABA - Sociedade Amigos do Balneário Atlântida, fundada em 1962. As sociedades de veranistas foram muito comuns em todos os balneários do litoral norte do estado, com intuito de oferecer infra-estrutura de lazer e espaço para eventos.

Embora mais modesta que outras sedes (como a da SAT de Tramandaí, lamentavelmente demolida este ano) a sede da SABA não ficava pra trás em qualidade arquitetônica. O belo projeto modernista construído apresentava revestimento de pedra basalto com murais artísticos e planos envidraçados com esquadria de madeira. O conjunto encontra-se preservado, embora com acréscimos e muitas modificações através dos tempos.

Postal do Palácio dos Festivais e Praça Major Nicoletti em Gramado (RS)


O centro de Gramado (RS) passou por intensas transformações nas últimas décadas. A cidade transformou-se de cidadezinha pacata e bucólica a principal destino turístico do Estado.

O postal mostra um pouco da simplicidade da Gramado de outros tempos, onde alguns chalés de madeira ainda persistiam no centro da cidade. O prédio em destaque é o Palácio dos Festivais, que assim como a praça, já foi bastante modificado.

Fonte da imagem: Cartão postal não datado, provavelmente de meados da década de 70 e 80.

domingo, 18 de agosto de 2013

Patrimônio arquitetônico de Montenegro (RS)

A imagem mostra o prédio da "Optica Moderna" de C. F. Köhler em Montenegro (RS). O local funcionava em meados da década de 30 como loja de jóias, relógios, presentes e ainda como ótica, trabalhando com as lentes Zeiss e Busch. Também trabalhava com o conserto de relógios, óculos e afins.

O belíssimo prédio eclético típico dos núcleos urbanos com presença de imigrantes alemães e descendentes persiste marcando a paisagem urbana do município, abrigando hoje uma farmácia (clique aqui para visualizar no Google Street View).

 Uma legislação municipal que regulamentasse o tamanho dos painéis publicitários e ainda, a proteção desse acervo arquitetônico por inventário e tombamento poderia assegurar que a história de Montenegro continuasse presente em suas ruas.

Fonte: Imagem do Álbum de Montenegro - 1933; material digitalizado por Juan Rocha.

sábado, 17 de agosto de 2013

Postal antigo de São Leopoldo (RS)


O postal apresenta uma vista da cidade de São Leopoldo, na atual rua Marquês do Herval na altura da esquina com a rua João Neves da Fontoura.

O prédio de esquina, na imagem ocupado pela "Loja de Fazendas", foi construído em 1893 e segue marcando a paisagem urbana do centro da cidade, abrigando hoje um Tabelionato (clique aqui para visualizar no Google Streetview)

Fonte: Postal resgatado por Marcia Eloísa Poschetzky.

domingo, 4 de agosto de 2013

Modernismo no litoral gaúcho: CORSAN de Tramandaí


O litoral norte gaúcho foi palco de algumas das principais manifestações do movimento moderno na arquitetura do Estado.

Um dos principais testemunhos do auge deste período é o prédio da CORSAN, situado na Avenida da Igreja de Tramandaí,

Projeto de 1970, esta obra pública tem autoria do Arquiteto Luiz Tirelli Lopes. A cobertura em concreto armado ondulado destaca-se na composição, pousada sobre as empenas de pedra arenito.

O prédio encontra-se bem conservado, embora a pintura atual e a construção de um alambrado no alinhamento prejudiquem a apreciação da obra.

Marca de Theo Wiederspahn em Novo Hamburgo: Fundação Evangélica


O prédio que atualmente sedia a Escola de Idiomas da IENH - Instituição Evangélica de Novo Hamburgo,  junto a Fundação Evangélica em Novo Hamburgo, tem a assinatura do mais importante arquiteto teuto-brasileiro: Theo Wiederspahn.

Wiederspahn foi autor de obras importantes como a sede dos Correios e Telégrafos, atual MARGS em Porto Alegre. Wiederspahn atuou ativamente em Novo Hamburgo no final de sua carreira, quando construiu diversas obras para o Síndo Luterano. Também atuou para civis na firma Wiederspahn & Rohden, assinando pequenas obras e algumas indústrias.

O projeto desta edificação foi protocolado na Prefeitura em 1939. A edificação encontra-se bem preservada na rua Frederico Mentz. Na mesma ocasião também foi protocolada a casa do Porteiro, ainda existente na área da Fundação Evangélica.

Fonte: Acervo da Fundação Scheffel

domingo, 21 de julho de 2013

Colégio Santa Catarina de Hamburgo Velho


A história do Colégio Santa Catarina de Hamburgo Velho começa em 1900, quando a escola instalou-se em prédio alugado, em frente ao atual Colégio. A instalação de uma instituição de ensino católica era demanda antiga de parte da sociedade hamburguense.

A pedra fundamental do imponente edifício ainda existente na rua General Osório foi lançada em 1909, sendo inaugurado no ano seguinte.

A instituição acolhia inicialmente internato tanto de meninas quanto de meninos. A situação alterou-se em 1914, com a instalação dos Irmãos Maristas que passaram a atender o ensino masculino. Mais tarde, a Escola voltaria a acolher meninos, com o fechamento do Colégio São Luiz.

O prédio foi complementado em 1949 com as obras de uma nova ala do colégio, em anexo, já no estilo Art Déco.


Fonte: Lembrança do Cinquentenário do Estabelecimento das Irmãs da Congregação Santa Catarina no Rio Grande do Sul 1899-1949. Porto Alegre: Imprimatur, 1949.

domingo, 21 de abril de 2013

O antigo Colégio São Jacó de Hamburgo Velho


A imagem mostra os corpos docente e discente do Colégio São Jacó de Hamburgo Velho no ano de 1949.
O espaço é nos fundos do prédio, onde localizava-se o monumento a Marcelino Champagnat.

O São Jacó foi a primeira instituição de ensino dirigida pelos Irmãos Maristas (a convite) em Novo Hamburgo. O prédio foi, ainda, o primeiro projeto do arquiteto alemão Ernst Seubert no Brasil.

A estrutura sofreu um incêndio em 1954, sendo prontamente reformado após ampla campanha comunitária. Após a reforma, o prédio passou a apresentar o aspecto modernista que ainda mantém.

 O Colégio encerrou suas atividades no ano de 1969, com as atividades transferidas ao Colégio Pio XII. O prédio de Hamburgo Velho é hoje ocupado pela Universidade Feevale, Campus I.

Fonte: Irmãos Maristas - Cinquentenário da Chegada dos Primeiros Irmãos ao Rio Grande do Sul 1900-1950.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Villa Julieta, história derrubada em Campo Bom (RS)


Toda cidade tem uma perda a lamentar. Campo Bom tem várias.

A Villa Julieta situava-se na Avenida Brasil, fazendo conjunto com o Clube XV de Novembro. Apresentava uma composição eclética não erudita, numa soma pitoresca de diversas tendências da época.

Além da casa, foi-se o jardim que caracterizava aquela esquina, hoje ocupada por lojas.

Tratava-se do primeiro projeto construído pelo construtor licenciado João Arlindo Hilgert. Embora tenha sido inventariada em 1994, a casa acabou não resistindo à falta de política de patrimônio cultural na cidade.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Obelisco de Theodomiro Porto da Fonseca e a amnésia histórica de São Leopoldo (RS)


O Obelisco em homenagem ao intendente Theodomiro Porto da Fonseca, em São Leopoldo (RS) é um dos tantos monumentos que demonstram o descaso e a amnésia histórica da cidade.

Sua origem remonta a Exposição Agrícola, Industrial e Avícula de São Leopoldo, em 1934, comemorativa aos 110 anos da Imigração Alemã. O monumento foi mandado erigir pela própria população, sendo sua construção financiada pelos apoiadores do prefeito e demais entusiastas.

Não é exagero dizer que, quase 80 anos depois, a homenagem orgulhosamente oferecida pela sociedade virou vergonha: o obelisco é utilizado para ancoragem de contêineres de lixo, encontra-se depredado, com algumas peças furtadas e enfm, completamente desvalorizado pelo abandono e poluição visual do entorno.

Theodomiro Porto da Fonseca foi o intendente e prefeito que viabilizou importantes obras para São Leopoldo e outros municípios que até então eram distritos: Usina da Toca (obra originária da CEEE), rede de escolas municipais, Paço Municipal (recentemente desocupado), rede de esgotos de São Leopoldo, muro de arenito em estilo gótico do cemitério municipal, entre outras.

O monumento, assim como os outros (como a Praça do Imigrante), demonstra o carinho com que São Leopoldo acolhe sua memória.

FONTES:
Relatório de 1934 apresentado ao Exc. Snr. General Interventor Federal Dr. José Antônio Flores da Cunha pelo Prefeito Theodomiro Porto da Fonseca. São Leopoldo: Editora Rotermund, 1934.
FONSECA, Mario. Biografia de Theodomiro Porto da Fonseca in Anais do 1ª Simpósio de História da Imigração e Colonização Alemã no Rio Grande do Sul. São Leopoldo: Editora Rotermund, 1964.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Inauguração da Igreja Evagélica Luterana de Três Passos (RS)


A foto reproduz o postal editado em lembrança da inauguração da nova igreja da Comunidade Evangélica de Três Passos (RS), filiada a IECLB.

A construção levou cerca de seis anos e a obra foi festivamente inaugurada em 11 de novembro de 1956. A igreja representa a fase de prosperidade das "colônias novas" no noroeste do Estado, em que as construções de madeira começaram a ser substituídas pelas de alvenaria. Encontra-se preservada, compondo o patrimônio histórico material infelizmente ainda não reconhecido por tombamento no município.

Fonte: Jahrweiser - Almanaque do Sínodo Luterano (1958)

domingo, 17 de março de 2013

O luxuoso palacete de Baldomero Barbará em Uruguaiana (RS)


Marcando uma esquina nobre da cidade, em frente a praça central, o palacete da família de Baldomero Barbará segue sendo um símbolo da prosperidade de Uruguaiana (RS) no início do século XX.

O casarão foi projetado pelo arquiteto italiano Domingos Rocco, abrigando em seu interior o primeiro elevador da cidade. Além disso, o palacete conta com uma belíssima clarabóia, torreão de cobre na esquina, terraço e escadarias em mármore de Carrara. Teria sido construído com materiais importados da Itália.

Inaugurado em 1913, o palacete serviu de residência a família de Baldomero Barbará até meados de 1930. Deste ano até 1978 funcionou curiosamente como quartel militar. Hoje o local abriga o centro cultural da cidade, com arquivo público farto em documentação sobre o município.

Foto: Jorge Luís Stocker Jr. / 2013

sexta-feira, 15 de março de 2013

A escola teuto-brasileira de Samuel Dietschi em Hamburgo Velho


Localizada em frente a Fundação Scheffel, a conhecida "Casa da Lira" chama atenção até hoje pela imponência, e caracteriza-se pela réplica do instrumento musical que ornamenta seu frontão.

A lira é testemunha da escola de música que ali funcionou, coordenada por Samuel Dietschi. Mas inicialmente não tratava-se apenas de uma escola de música: a Deutsche-Brasilianische Schule (escola teuto-brasileira) assumia toda a educação e funcionava no regime de pensionato, com a possibilidade de semi-pensionato por menor custo. No local ensinava-se português e alemão, e as aulas de música eram pagas em separado.

Nota-se no desenho do anúncio que a rua ainda não havia sido rebaixada (o que ocorreu em 1920, ocasionando o surgimento de mais um andar térreo). Também ainda não havia sido construído o pórtico lateral que hoje complementa esta bela residência.

Fonte: Kalender für die deutschen in Brasilien - 1907

terça-feira, 12 de março de 2013

A marca de Seubert em Panambi (RS)

No alto de uma colina da antiga Colônia de Neu Württemberg, hoje município de Panambi, encontra-se um dos mais expressivos templos luteranos no Rio Grande do Sul.

O templo inaugurado em 1923 foi projetado pelo arquiteto alemão Ernst Seubert. O arquiteto residiu em Hamburgo Velho, local onde também projetou algumas das obras arquitetônicas mais representativas (entre elas, o monumento do centenário).

A disposição da torre aos fundos foi bastante recorrente na arquitetura religiosa luterana na década de 30, modismo cuja origem normalmente é atribuída a igrejinha Martin Luther (1936), do Arq. Siegfried Costa em Porto Alegre (RS). O templo projetado por Seubert em Panambi, que é anterior, já denota modernização na linguagem arquitetônica e na disposição funcional do programa.

A imagem mostra uma perspectiva da época da construção do templo.

FONTES:
Imagem extraída do Kalender für die Deutschen Evangelischen Gemeiden in Brasilien - 1928 ("Jahrweiser")
Comunidade Evangélica de Panambi http://www.ieclb.com.br/index.php?menu=1101

sexta-feira, 8 de março de 2013

A histórica Pharmacia Licht de Santo Ângelo (RS)


No centro histórico de Santo Angelo (RS), um prédio de esquina guarda forma e função originais: trata-se da Farmácia Licht.

Uma farmácia foi fundada no mesmo local em 1905 por Otaviano Lomega, e foi posteriormente adquirida por Amantino Licht em 1912.
A edificação original passou por uma extensa reforma em 1924, visando adequar-se às exigências da Diretoria de Higiene vigentes. Desde então, a Farmácia Licht se mantém aberta e com seu aspecto externo na maior integridade, com destaque à alegoria da medicina sob o frontão da esquina.

FONTE - Imagem antiga e informações: FRANCO, Alvaro e RAMOS, Senhorinha Maria. Panteão Médico Rio-Grandense.São Paulo: Ramos Franco Editores, 1943.
A fonte é uma colaboração de Cristiano Enrique de Brum.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Agapan: Vanguarda na defesa do meio ambiente

A imagem mostra o espaço de anúncio ocupado pela AGAPAN - Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural no jornal Hamburgerber de 1983.

A AGAPAN foi fundada em 1971 por vários ecologistas, entre eles José Lutzenberger, que escreveu alguns artigos para o Hamburgerberg.

O jornal era editado em Novo Hamburgo (RS) pelo artista Ernesto Frederico Scheffel, historiadora Angela Sperb e outros, com o objetivo de promover a preservação do bairro histórico Hamburgo Velho.

O anúncio demonstra que tanto a vanguarda pelo patrimônio histórico em Novo Hamburgo quanto a vanguarda da preservação ambiental estavam bem alinhadas e em pleno intercâmbio de ideias.

Fonte: Jornal Hamburgerberg nº5 - 1983

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Anúncio do arquiteto Adolpho Sieger


A imagem reproduz o anúncio do escritório de Adolpho H. Siegert, um dos tantos arquitetos de origem alemã que atuaram em Porto Alegre.

O profissional, cujo nome completo era Karl Adolf Heinrich Siegert, era natural de Colônia, Alemanha, onde estudou arquitetura. Teve passagem pela A.D. Aydos Cia., onde assinou o projeto de várias edificações em Porto Alegre. Na mesma empresa trabalharam os arquitetos Franz Filsinger e Fernando Corona.

Fonte: WEIMER, Günter. Arquitetos e Construtores no Rio Grande do Sul 1892-1945. Santa Maria: UFSM, 2004.
Origem do anúncio: Kalender für die Deutschen Evangelischen Gemeiden in Brasilien - 1933 ("Jahrweiser")

Igreja Martim Lutero de Cachoeira do Sul (RS) em construção

 
A imagem retrata as obras do templo luterano Martim Lutero, da IECLB - Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil, na cidade de Cachoeira do Sul (RS).
 
Trata-se de um dos templos protestantes mais interessantes e ousados. Projetado pelo arquiteto alemão Theo Wiederpahn, o prédio utiliza vocabulário do estilo neogótico e tem curiosamente uma planta de base octogonal.
 
A pedra fundamental foi lançada em 1930 e a obra foi rápida: em março de 1931 era inaugurado o templo batizado de "Martim Lutero".
 
O prédio é sem dúvidas um dos principais exemplares de arquitetura erudita da imigração alemã no sul do Brasil.
 
Fonte: Kalender für die Deutschen Evangelischen Gemeiden in Brasilien - 1932 ("Jahrweiser")

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Igreja Evangélica Betel - Um projeto não executado de Theo Wiederspahn em Novo Hamburgo (RS)


Novo Hamburgo teve um templo protestante projetado pelo arquiteto alemão Theo Wiederspahn, que acabou não sendo executado.

A capela ficaria na esquina das ruas Cristóvão Colombo com a rua Almirante Tamandaré¹ no bairro Vila Rosa. O terreno era doação de Camilo Nunes Monteiro para a Comunidade Evangélica Betel.

O projeto foi feito durante o período de parceria de Wiederspahn com o construtor licenciado Rohden de Novo Hamburgo, com quem manteve a firma Wiederspahn & Rohden Ltda. Protocolado na Prefeitura Municipal em 1950, deve ter sido um dos últimos projetos do arquiteto, que faleceria dois anos depois.

O projeto do templo registra a passagem missionária da Igreja Batista Independente no bairro Vila Rosa. Registra-se que esta comunidade sofria forte oposição e até perseguições.² A atuação deste grupo religioso concentrou-se inicialmente nos bairros Vila Rosa e São Jorge, mas iria se cristalizar, finalmente, no bairro Hamburgo Velho, onde se mantém o templo Batista Betel até os dias atuais na esquina da Av. Victor Hugo Kunz com a Rua Eng. Jorge Schury.

¹ Aparentemente esta rua foi rebatizada posteriormente, pois não foi possível localizá-la como uma perpendicular da Cristóvão Colombo.
² FONTE:http://www.cibi.org.br/index.php/memo/historia/608-os-batistas-independentes-no-rio-grande-do-sul
Imagem: Acervo da Fundação Scheffel.

Sobrado Art Déco em Santo Angelo (RS)


No centro da cidade de Santo Angelo é possível admirar um dos mais interessantes exemplares residenciais da arquitetura Art Déco no Estado.

Compondo paisagem com o museu, com a atual Prefeitura Municipal e com a Catedral Angelopolitana, o sobrado foi recentemente recuperado em iniciativa dos proprietários. Encontra-se agora em excelentes condições, apresentando até mesmo a mureta original com guarda-corpo metálico.

O Art Déco foi um dos estilos responsáveis pela transição de uma arquitetura eclética para a arquitetura moderna. Utilizava, em geral, decoração geometrizada, mas em exemplares mais vanguardistas havia ousadia na proposta volumétrica, como é o caso deste sobrado.

O estilo Art Déco foi tema do blog Die Zeit em artigo que pode ser acessado aqui.

Fica o belo exemplo de preservação da memória e da paisagem urbana por parte destes proprietários em Santo Ângelo.

Foto: Jorge Luís Stocker Jr. / 2012

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Estação ferroviária de Jaguarão (RS)

Jaguarão guarda outros atrativos além do belo centro histórico tombado: a antiga Estação Ferroviária. O espaço fica um pouco deslocado da área central, e apesar de ainda não abrigar nenhum atrativo público, vale uma breve visita para conferir sua arquitetura.

A chegada da linha férrea em Jaguarão foi bastante tardia, apesar de reivindicações da comunidade e de lideranças políticas. As tratativas para construção da viação férrea começaram em meados de 1890 mas só se concretizaram na década de 30. O prédio da estação foi inaugurado finalmente em 1932.

O modelo foi padrão da VFRGS nas décadas de 30 e 40, recorrente em outros municípios como Canoas, Campo Bom, Dom Pedrito, Santiago, Jaguari e outros. O prédio incluía no andar térreo sala de espera, sala do agente e telégrafo, setor de atendimento com depósito para bagagens, quarto do telegrafista e sanitários; e no andar superior, a residência do agente, cozinha, despensa, toilete e três dormitórios com terraços laterais.

Mais informações e curiosidades sobre a estação podem ser encontradas neste link.

Foto: Jorge Luís Stocker Jr./2011
Informações: Livro Patrimônio Ferroviário no Rio Grande do Sul. Inventário das Estações 1874-1959

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Ivoti (RS) nos anos 80


O postal da década de 80 mostra praticamente toda a pequena área urbana de Ivoti na época, onde destaca-se a Av. Presidente Lucena - o "travessão" ao longo do qual foram distribuídos originalmente os lotes coloniais.

Na mesma década, em 1985, houveram movimentações pelo tombamento dos prédios históricos e limitação da altura das edificações na Av. Presidente Lucena. Foi publicado no jornal Zero Hora de 12 de novembro de 1985 um antológico artigo do prof. Júlio Nicolau Barros de Curtis, "Ivoti no limiar do lugar-comum", onde clamava por respeito a fisionomia histórica da via enquanto patrimônio da imigração alemã.

Infelizmente nesta época as lideranças políticas locais optaram pelo não reconhecimento do patrimônio cultural do centro da cidade, posição mantida por todas as administrações desde então. Pode-se dizer que Ivoti está neste momento atingindo o "lugar-comum" como profetizado pelo prof. Júlio de Curtis na década de 80.É nítida a crescente banalização da paisagem urbana, poluição visual, a saturação do trânsito na via, e é claro, a derrubada sumária do patrimônio cultural.

Como contraponto, Dois Irmãos (RS), a cidade vizinha, conseguiu manter seu "travessão inicial" como um lugar aprazível, ao longo do qual dezenas de bens históricos foram tombados. O fluxo maior de automóveis também foi realocado em vias paralelas. O exemplo prático demonstra que valorizar o patrimônio não é nada impossível e que Ivoti ainda pode resgatar um pouco do charme que restou, caso atitudes urgentes sejam tomadas.

Fonte da imagem: postal doado por morador de Ivoti (RS)
Fonte: CURTIS, Júlio Nicolau Barros de. Vivências com a arquitetura tradiciona do Brasil. Porto Alegre: Ritter dos Reis, 2003.

Catedral Nossa Senhora de Lourdes, em Canela, ainda inconclusa


A foto registra um dos principais postais de Canela (RS), na Serra Gaúcha - a igreja da Paróquia Nossa Senhora de Lourdes - quando ainda encontrava-se inconclusa. As obras iniciaram em 1953.

É também possível perceber a singeleza do paisagismo do entorno na época.

Pela imponência, ficou conhecido como "Catedral de Pedra" ou "Catedral de Canela". O templo, revestido em pedra basalto, é divulgado como uma igreja em estilo "gótico inglês". Na verdade, pode-se dizer que apresenta uma reinterpretação do estilo neogótico, praticamente pós-moderna. 

Fonte da imagem: Cartão postal não datado.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Cascata dos Narcisos em Gramado (RS)


Gramado já teve um belo ponto turístico natural: a Cascata dos Narcisos.

O bucólico local era cartão postal do município nas décadas de 70 e 80, e parada obrigatória para quem visitava a Serra Gaúcha.

Com o crescimento urbano descontrolado, o local transformou-se hoje praticamente em um depósito de lixo informal. A poluição das águas do arroio tornam o ar irrespirável, principalmente pela grande quantidade de esgoto doméstico nele despejada.

Fica o grande desafio para Gramado, de conciliar o turismo de massas do qual o município hoje depende com a preservação ambiental e do patrimônio cultural.

Fonte da imagem: Cartão postal da década de 80.

Cores novas no antigo Moinho projetado por Wiederspahn



O antigo Moinho Chaves, situado na Rua Voluntários da Pátria em Porto Alegre (próximo a Estação São Pedro) no bairro São Geraldo recebeu no mês de janeiro uma nova pintura.

O representativo exemplar de arquitetura industrial do arquiteto alemão Theo Wiederspahn integra o Inventário de Patrimônio Cultural do antigo 4º Distrito. Foi projetado em 1919 e inaugurado em 1921, tendo uma linguagem bastante avançada para a época.

Ernesto F. Scheffel e o voluntariado em defesa do patrimônio cultural de Hamburgo Velho


É impossível abordar a trajetória da patrimonialização do bairro Hamburgo Velho, em Novo Hamburgo, sem lembrar do artista Ernesto Frederico Scheffel.

O artista (cuja obra pode ser conferida na Fundação Scheffel) promoveu, no início dos anos 80, o que hoje seria chamado de um "coletivo cultural". Muito antes das facilidades de comunicação das redes sociais, Scheffel conseguiu reunir uma rede de voluntários com o 'Movimento de Preservação do Patrimônio Histórico e Artístico', em Hamburgo Velho.

As atividades do grupo aconteciam nas manhãs de domingo, com almoço de confraternização por conta do artista. Os voluntários procederam a pintura de muitas edificações históricas de Hamburgo Velho.

Na época também foram lançadas seis edições de um periódico no formato de jornal denominado "Hamburgerberg", até hoje praticamente a única fonte bibliográfica existente sobre a história do bairro e seu patrimônio.

O movimento encabeçado por Scheffel foi vanguardista no contexto do patrimônio cultural brasileiro, pois antecede o reconhecimento público (o centro histórico, aliás, continua sem nenhum tipo de proteção legal efetiva até hoje). O resultado foi, na época, uma mudança da "cara" do bairro e elevação da auto-estima, uma espécie de revitalização procedida apenas com o trabalho voluntário da sociedade civil.

Este belo exemplo de iniciativa da sociedade civil organizada deveria servir como um ótimo exemplo para os dias atuais. O futuro do bairro tem sido pensado sem a sociedade, e uma série de projetos equivocados pretendem promover a espetacularização e gentrificação do local, arriscando erradicar justamente o que se pretende valorizar.

 O Centro Histórico de Hamburgo Velho continua cada vez mais maltratado pelo descaso e por iniciativas equivocadas, que apenas refletem a omissão e a falta de tutela do patrimônio cultural. Parte do local segue em estudo de tombamento pelo IPHAN.

Fonte da imagem: Acervo particular de Gilberto Winter

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

O monumento do centenário em Novo Hamburgo (RS)

(foto: Alexandre Reis)
As articulações para construção de um monumento do Centenário da Colonização Alemã em Novo Hamburgo começaram em 1916, com a fundação da sociedade "Denkmalverein von Alt und Neu Hamburg". Sua inauguração, entretanto, se daria apenas em 1927, curiosamente já comemorando também a emancipação de Novo Hamburgo, até então distrito de São Leopoldo, assinada no mesmo ano.

Ao redor do Monumento-mirante projetado pelo arquiteto alemão Ernst Seubert desenvolviam-se diversas atividades esportivas da Denkmalverein, que com a campanha de nacionalização ficou conhecida pelo nome de Sociedade Comemorativa de Hamburgo Velho e Novo Hamburgo. Esta associação seria mais tarde fundida com o America Tênis Clube, que ficaria com a guarda do Monumento. A sociedade mais tarde seria uma dos formadoras da atual Sociedade Aliança, que herdou a guarda do Monumento.

O Monumento do Centenário encontra-se preservado e aberto a visitação, bastando a identificação junto a portaria da Sociedade. Foi tombado pela municipalidade em 2008.

FONTES: KUHN, Diva Walzer. "O monumento de que inspirou uma associação" in Hamburgerberg Ano V nº 5 - Hamburgo Velho, 4 de Maio de 1988O Monumento da Colonização em Hamburgo Velho apud. DUARTE, Eduardo. O Centenário da Colonização Alemã no Rio Grande do Sul. p. 152 Porto Alegre: Tipografia do Centro,1946

sábado, 26 de janeiro de 2013

Imbé (RS) nos primórdios


A foto é uma vista a partir da torre da igreja, no loteamento inicial de Imbé (RS). Provavelmente data da década de 40 ou início da de 50.

É possível reconhecer alguns poucos chalés e casinhas californianas/neo-coloniais ainda existentes.
Embora infelizmente muitos prédios da época do loteamento estejam sumindo ano após ano, mantém-se o traçado urbano original do Eng. Ubatuba de Faria, remetendo ao conceito de cidade-jardim, um dos poucos com esta qualidade no Rio Grande do Sul.
Valeria um pouco mais de cuidado com esse espaço que conta tanto sobre as trajetórias dos "veraneios" no litoral gaúcho.

FONTE: Fotografia postada no grupo Preserve Patrimônio Histórico de Santo Anyônio da Patrulha e Litoral Norte no Facebook.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

A igrejinha Martin Luther de Porto Alegre (RS)


A pequena igrejinha Martin Luther, inaugurada em 1936, foi um dos bens históricos de Porto Alegre salvos graças a ação da sociedade em sua defesa - a previsão de passagem da III Perimetral por cima alarmou a comunidade, que conseguiu ajuda de arquitetos (como Günter Weimer) que, somado a outros movimentos de preservação, conseguiram a preservação do prédio.

Trata-se de uma pequena obra, de aparência discreta e que chama pouca atenção. Sua importância, porém, é enorme, por tratar-se de uma linguagem arquitetônica bastante avançada para a época, e representante de uma corrente arquitetônica vinculada a Neue Sachlichkeit (nova objetividade) que teve pouca penetração no Brasil: 

O projeto é do arquiteto Siegfried Berthold Costa (autor também das igrejas evangélicas luteranas de Taquara, Novo Hamburgo e outras), teuto-brasileiro de Estrela - RS, que estudou na Alemanha após trabalhar em Porto Alegre como ajudante dos arquitetos Theo Wiederspahn e Franz Filsinger.

A foto é de postal não datado (provavelmente meados da década de 60).

O Antigo Cine Rialto em Estância Velha (RS)


Os cinemas "de rua" foram por muito tempo a principal opção de lazer e cultura nas cidades do interior.
O Cine Teatro Rialto, mais conhecido como "Cine Rialto", inaugurado em 1946 em Estância Velha, era um destes exemplares. 
O prédio seguia linhas Art Déco de uma forma bastante simplificada. Esteve em ruínas por muitos anos, até ser recentemente ocupado por uma rede de lojas. Infelizmente a municipalidade perdeu a oportunidade de devolver a Estância Velha um belo espaço cultural, de que aquela cidade tanto tem carência e necessita.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Igreja São Geraldo da Av. Farrapos, em Porto Alegre (RS)

Dentro do interessante acervo Art Déco da Av. Farrapos, em Porto Alegre, destaca-se a Igreja São Geraldo. O projeto original é do Arq. Vitorino Zani, autor de inúmeros templos religiosos no Estado - como a Igreja São Pelegrino de Caxias do Sul e a Basílica São Luiz em Novo Hamburgo.

Sobre esta obra, fala o próprio Zani:
Do novo pensamento, temos a amostra das modernas construções que torna Porto Alegre digna de todos. Na arte sacra vai se elevando a Igreja São Geraldo, de linhas claras e os motivos litúrgicos nobremente representados a-par-de massas imponentes e simples, simples como a verdade de Deus.”
Fonte: Livro Porto Alegre: Biografia duma cidade. 1940

Prédio da Comissão de Terras e Colonização em Santa Rosa (RS)

 
A história do município de Santa Rosa (RS) insere-se na última etapa do processo de colonização no Estado do Rio Grande do Sul. O processo de distribuição dos lotes iniciou-se em 1915 e foi promovida pelo Estado do Rio Grande do Sul em terras pertencentes a União.

Boa parte dos colonos que ocuparam estas terras eram teuto-descendentes, filhos ou netos de imigrantes das colônias mais antigas. No entanto também alguns imigrantes estrangeiros foram atraídos para esta região, em sua maioria profissionais artesãos ou técnicos.

Curiosamente o prédio da Comissão de Terras e Colonização segue existindo, ainda de posse do governo estadual e ocupado por repartições públicas. Espera-se que seja preservado e devidamente restaurado por sua importância no contexto da colonização do Estado do Rio Grande do Sul, especialmente por tratar-se de remanescente das iniciativas públicas do governo estadual neste sentido (em contraste com as iniciativas mais antigas, imperiais, ou ainda com as tantas colonizações particulares subsidiadas ou não pelo Estado, que foram bastante comuns).

É exemplar raro e original, ainda, das tantas construções de madeira que caracterizaram as "colônias novas", das quais poucas restam. Todo este acervo vem paulatinamente desaparecendo.
 
"Um dos exemplos mais interessantes constitui, sem dúvida, o de Santa Rosa, que, com o nome 14 de julho, foi o centro da colônia instalada em 1915 no município de Santo Angelo. A Inspetoria de Terras e Colonização lá tem ainda seus escritórios no mesmo chalé de madeira, um pouco afastado do atual centro da cidade, numa das ruas em diagonal. Santa Rosa tornou-se sede do município de mesmo nome em 1931. A povoação, porém, só contava com 280 casas de madeira que, em 1940, abrigavam 1800 habitantes. Em 1950, possui 5000 habitantes, e as casas de tijolos e cimento se constroem na proporção de várias centenas por ano, distribuindo-se em volta do tabuleiro de ruas entre o antigo núcleo administrativo e a estação construída quando da implantação da viação férrea, em 1940. No centro, encontram-se a estação rodoviária e a Prefeitura Municipal, majestoso edifício de concreto, o maior de todos os municípios do Estado (salvo Porto Alegre). Há agora, um serviço de águas, uma central elétrica, escolas, uma biblioteca, uma estação de rádio, hotéis, casas de comércio, quartéis e todo um bairro militar, onde residem os oficiais e suboficiais. Santa Rosa vive principalmente de comércio. (...)"

 ROCHE, Jean. A Colonização Alemã no Rio Grande do Sul. Volume I. 1969

O Antigo "Matadouro de Pedras Brancas" em Guaíba (RS)

 
A cidade de Guaíba ficou em evidência desde a inauguração do "Catamarã" que faz a ligação hidroviária entre o município e Porto Alegre.

Bem em frente ao desembarque deste transporte um prédio histórico chama atenção dos transeuntes. Trata-se do antigo matadouro municipal de Porto Alegre, quando o local era conhecido como distrito de Pedras Brancas.

O prédio mais tarde serviu como Mercado Público, uso que ficou consolidado na memória coletiva do local. Hoje encontra-se abandonado, tendo recebido recentemente uma demão de tinta branca na fachada.

Fonte da imagem: BUCCELLI, Vittorio. Un viaggio a Rio Grande del Sud (1906)

Obra do Arq. Franz Filsinger em Novo Hamburgo

 
 
A rua Marcílio Dias em Novo Hamburgo (RS) guarda (por enquanto) um precioso exemplar da década de 30. Sua planta foi aprovada na prefeitura em 1932, sendo um dos poucos sobrados remanescentes projetados por arquiteto alemão erudito na cidade.

Projeto do Arquiteto Franz Filsinger, que trabalhou com o arquiteto Theo Wiederspahn. Posteriormente foi contratado pela A.D. Aydos Cia., onde assinou o projeto de várias edificações em Porto Alegre.  
O mesmo arquiteto é considerado pelo arq. Günter Weimer o introdutor do modernismo em Porto Alegre, devido a dois projetos residenciais pioneiros da década de 30. Filsinger também projetou o famoso pórtico Art Déco da Exposição do Centenário Farroupilha.
Poucas edificações eram projetadas por arquitetos eruditos em Novo Hamburgo, sendo que no geral o projeto e construção ficava a cargo de "construtores licenciados", de maior ou menor conhecimento.
 
Este projeto apresenta cuidadoso agenciamento dos espaços internos, resolvendo o programa da edificação com organização e simplicidade. Por este motivo, trata-se de obra única e de nítido interesse cultural, pelo que deveria ser classificada num inventário.

Mas este sobrado curiosamente não está inventariado pelo município como de interesse para preservação, ao passo que outras edificações não tão refinadas estão. Fica difícil entender qual os critérios utilizados nessa seleção - provavelmente inexistam critérios. A gestão do patrimônio cultural de Novo Hamburgo é uma das mais vergonhosas possíveis.
Assinatura na planta:
"F. Filsinger - Architecto Particular -Porto Alegre Av,. Christ.Colombo 356"
 

Hospital Centenário de São Leopoldo (RS)

(fonte: Acervo MHVSL)
 
Antes de se tornar símbolo de descaso e da decadência da saúde pública, o Hospital Centenário de São Leopoldo foi uma grande obra para o município.
O projeto foi lançado junto aos festejos do centénário da imigração alemã em 1924, motivo da sua denominação.
Este prédio histórico infelizmente não está tombado ou inventariado, portanto, segue com risco de modificações que possam danificar seu valor cultural.

Sobre o Hospital, segue notícia de 1824:

" Idéia magnifica, sem dúvida, essa da operosa Municipalidade de São Leopoldo de perpetuar a data histórica que se comemora, fazendo erguer um modelar estabelecimento para a cura dos enfermos, obra de alta benemerência e de tão simpática destinação social.
A planta do "Hospital do Centenário" - que assim se denominará - é de autoria dos srs. Barbedo & Barros, aqui estabelecidos com o reputado "Escritório Comercial de Engenharia" a rua dos Andradas nº 212 (sobrado).
O projeto do hospital é vasado nos moldes de que de mais moderno existe tocando no tocante ao assunto, havendo os engenheiros Silvio de Barbedo e Theopilo de Borges de Barros se esmerado por dotar o mesmo da última palavra do gênero.
Compor-se-á de pavilhões, sendo de notar que, de momento, apenas será construído o central, que tem 43,80 metros de frente port 23,50 metros de fundo, possuindo todas as instalações necessárias ao altruístico fim que foi destinado.
A parte central terá dois andares. O hospital possuirá dois grandes salões para os enfermos, com instalações completas para o pessoal interno e empregados, farmácia, consultórios, gabinetes, salas operatórias, laboratórios, etc.
O hospital terá um grande jardim central e será ladeado por pequenos vergéis para recreio dos convalescentes que, nos dias de sol, poderão ir arejar, percorrendo os meandros entre os canteiros e as cuidadas alamedas."
Fonte: O "Hospital do Centenário" apud. DUARTE, Eduardo (org.) O Centenário da Imigração Alemã no Rio Grande do Sul 1824-1924. Porto Alegre: Tipografia do Centro, 1946.

Memória Drops - Rio Grande do Sul

Este blog pretende trazer imagens e informações históricas do Rio Grande do Sul de forma breve, rápida e dinâmica.

Pretende-se, assim, promover de forma modesta a proteção do patrimônio cultural do Estado através da divulgação de suas potencialidades, ajudando na construção do imaginário deste legado.

Este blog complementa outro projeto, o blog Die Zeit , onde são discutidas as mesmas questões com mais profundidade.